O(s) Dia(s) dos Namorados no Japão

12 de junho é Dia dos Namorados. Aproveitando a data em que os casais apaixonados vão aproveitar a companhia um do outro, em um bom restaurante, ou um jantar romântico em casa, onde a pedida é o combinado do chef do delivery do Sassá Sushi, vamos saber mais sobre como é o Dia dos Namorados no Japão. Que na verdade, são dois dias.

Valentines Day & White Day

No Japão, o Dia dos Namorados não é comemorado em 12 de junho, como no Brasil. Na verdade, eles têm dois dias dos namorados. 14 de fevereiro é o Valentines Day, data dia em que as mulheres presenteiam os homens. Um mês depois, em 14 de março, é o White Day, vez de os homens presentearem as mulheres.

Como em todos os lugares do mundo, são datas comerciais. O Valentines Day foi criado por uma fábrica de doces em 1936, e o White Day em 1978, por uma fábrica de caramelos. Mas, independentemente de serem datas comerciais, elas caíram no gosto da sociedade japonesa, e de suas complexas regras de etiqueta.

Presentes para os namorados… não somente

O presente por excelência do Dia dos Namorados no Japão é o chocolate. Mas se tornou costume presentear também outras pessoas. O tipo de chocolate reflete a posição do presenteado na escala de relações sociais da pessoa. Errar o chocolate, ou não participar da brincadeira, pode causar um sério constrangimento.

Giri-choco: O chocolate de cortesia é dado a colegas de trabalho, clientes, ou pessoas com as quais se tem apenas uma obrigação social.

Tomo choco: O chocolate de amigo, que deve ser dado somente às pessoas próximas.

Family choco: O chocolate da família. Mas somente para as mulheres.

Honmei Choco: Esse sim, para os namorados, namoradas e crushes.

Outra regra bem peculiar da troca de presentes é o Sambai-Gaeshi, o triplo retorno. De acordo com ela, o homem deve dar no White Day um presente com valor três vezes maior do que aquele que recebeu no Valentines Day.

Nota do redator: Dizem que a sociedade nipônica é machista. Mas alguém nega que as mulheres se deram bem nessa?

Japan affair… como começar um namoro no Japão

Os ocidentais, ou pelo menos nós, brasileiros, criamos uma imagem dos japoneses como sendo educados, tímidos e reservados.

Estereótipos à parte, a cultura japonesa realmente não estimula que se demonstre as emoções em público. E tem um código rígido de etiqueta para situações comuns do dia a dia, que não estimula a interação entre as pessoas.

Olhar as pessoas nos olhos ou tocá-las, como em apertos de mão, ou tapinhas nas costas, pode soar ofensivo. Abraços ou beijos no rosto, nem pensar. Pessoas que não se conhecem dificilmente costumam se comunicar entre si, exceto em situações em que isso se faz necessário, como entre um cliente e um vendedor.

Situações inocentes e comuns do dia a dia, que facilitariam o surgimento ou a expressão do interesse amoroso, não acontecem com facilidade no Japão. E lá, como em muitas outras culturas, a iniciativa deve partir do homem

Então, como os japoneses fazem para expressar seus sentimentos por aquele crush?

Love is in the air… literalmente.

No Japão, o flerte e a paquera são uma espécie de jogo, em que o interessado joga as coisas no ar, na esperança de que o crush perceba. Se isso não acontece, e falar as coisas diretamente ainda é uma espécie de tabu social, a coisa fica realmente complicada.

Mas uma cultura tão sistematizada sempre tem as suas exceções. Se o rapaz deseja se declarar para a moça, não será algo tão fora dos padrões se ele o fizer no final do ano letivo, Valentine`s day, White day, ou mesmo no Natal!!!

Isso mesmo, no Natal. Como o Japão não é um país majoritariamente cristão, lá a festa não tem um sentido religioso. Acaba sendo mais um Dia dos Namorados.

With a litle help of my friends

Para ajudar rapazes e moças a se conhecer e, de repente, surgir aquela grande paixão, os japoneses têm o costume do gopon, abreviatura de godo kompa, ou “festa combinada”. Na verdade, um encontro às cegas em grupo.

Diferentemente do “blind date brasileiro”, em que geralmente um casal traz seus amigos e amigas para ver se alguém “desencalha”, o gopon é organizado por um rapaz e uma moça solteiros, que se conhecem e trazem seus amigos e amigas.

Como tudo no Japão, o gopon tem uma série de regras e preparações. E os japoneses levam bem a sério. Afinal de contas, é a chance de conhecer alguém legal.

Gopon: as regras do encontro às cegas no Japão

Já teve medo de achar alguém “areia demais para o seu caminhãozinho”? Os japoneses sabem bem como é isso.  Rapazes e moças chegam a fazer uma análise SWOT de si mesmos para autoconhecimento. E chegam aos encontros sabendo quais são seus pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças.

Prepare-se para tudo. Não se vai a um gopon sem estar atualizado sobre as últimas notícias, músicas que estão tocando, filmes que estão no cinema, acontecimentos nos esportes. A noite pode ser longa, os assuntos diversos, e ninguém quer parecer desinformado/a ou “sem conteúdo”, certo?  E não esqueça de saber bem o seu signo no horóscopo e tipo sanguíneo. Se o/a crush se interessar, pode querer sabe se são compatíveis.

Não esqueça o cartão de visitas. Por mais que o gelo tenha sido quebrado, pode ser avançar demais o sinal pedir o telefone no primeiro encontro. Então, é comum uma troca formal de cartões de visita.

Se nada mais der certo, omiai

Omiai ou miai é o “casamento arranjado”. Por incrível que pareça, ele ainda existe no Japão. E como tudo no país, obedece a regras e costumes rígidos.

Miai foi um costume que ganhou força na Era Meiji. Era feito por um nakodo (intermediador de casamento, em uma tradução livre), que levantava todo o passado e o status social das famílias dos noivos e noivas. Nele, a família do noivo sempre deveria estar em um patamar igual ou superior. O amor surgiria com a convivência.

Embora a lei japonesa, após a segunda guerra mundial, tenha abolido o miai e colocado o casamento como uma escolha individual, o costume perdurou até a década de 1960, quando se institucionalizou o “casamento por amor”.

Mas com as dificuldades que os japoneses têm para começar um relacionamento, o costume persistiu, modernizado. O intermediário pode ser um amigo, chefe, conhecido, ou até uma empresa especializada, que se incumbe de encontrar o parceiro ideal para uma pessoa. E deve receber perlo serviço.

Então, o Dia dos Namorados no Japão é divertido? Comente em nossas mídias sociais.

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